Eu sempre quis ser vento,
Pra passar como brisa e, às vezes, furacão,
Dando as voltas que tinha vontade, e
mudando os rumos quando achasse necessário.
Eu quis ser vento, deixar pra trás as ruas, casas, cidades,
e amores, carregando somente os perfumes e os espalhando pelo caminho.
Eu quis ser vento pra já nascer sabendo voar,
sem medos, sem calcular força.
Só não lembrei que o vento empurra tudo ao redor, atira longe,
faz estragos e deixa dores em todos os lados quando é furacão,
Que ele é solitário e confuso, muda de rumo o tempo todo.
Esse mesmo vento que nos refresca é o mesmo que bagunça, que faz cair.
É o mesmo vento que traz as noites frias e longas.
No fim, quem há de querer tanta ventania em um só?