quinta-feira, 27 de novembro de 2014

NOITES FRIAS

Eu sempre quis ser vento,
Pra passar como brisa e, às vezes, furacão,
Dando as voltas que tinha vontade, e
mudando os rumos quando achasse necessário.
Eu quis ser vento, deixar pra trás as ruas, casas, cidades,
e amores, carregando somente os perfumes e os espalhando pelo caminho.
Eu quis ser vento pra já nascer sabendo voar,
sem medos, sem calcular força.
Só não lembrei que o vento empurra tudo ao redor, atira longe,
faz estragos e deixa dores em todos os lados quando é furacão,
Que ele é solitário e confuso, muda de rumo o tempo todo.
Esse mesmo vento que nos refresca é o mesmo que bagunça, que faz cair.
É o mesmo vento que traz as noites frias e longas.

No fim, quem há de querer tanta ventania em um só?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

VENTOS

Meu presente é um papel branco,
escrevo beijos e abraços,
Em uma história que começou “no fim da linha”.
Numa tarde cinza e barulhenta,
eu via surgir seu aceno e minhas pernas ia seguindo no mesmo ritmo.
Alguns goles de rum e outros de alegria.
Eu me sinto bem em sua companhia.
O vento tira a gente do caminho,
com a pressa de beija-flor.
À força, sem perguntar opinião.
O vento que muda a brisa,
empurra lágrimas que ainda escorrem.
É sempre o vento que atropela os desejos e os medos,
que esbarra em nossa solidão.
Não dando passagem, nem tempo de escolher.
E de repente nos encontramos em outro caminho,
em outro colo, embaraçado, confuso.
E então esse vento se acalma,
e vai deixando os dias normais,
os colos aconchegantes e serenos.
O sol reaparece e surgem novos medos.
A estrada agora parece longa,
e sem nenhuma nuvem atrapalhando a visão.
E assim seguem esses novos dias, nesses novos colos,
até que os ventos voltem e mudem os rumos novamente.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Reza crua

Um nó na garganta e outro nos sapatos.
Todas as manhãs se repetem da mesma forma,
mantendo o mesmo sorriso e o mesmo amargo na boca que você deixou.
Mas hoje o meu grito estava rouco, cansado de tanto silêncio e dor,
cantando as melancolias entre um surto e outro,
entre um caso e outro.
Não é saudade, é a falta...
E a cama bagunçada, e os corpos trocados, e os desejos com falta de amor.
Eu ainda me encontro em você, em todos os defeitos, em todos os tropeços e em todos os meus receios.
Onde você me encontra agora?