quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

INSANIDADE NUMA TARDE DE SOL

Às vezes, você deveria ficar mais perto de mim e me impedir da minha estupidez em pensar noutro amor.
Às vezes, você podia pensar mais em mim e divulgar nos muros, só pra me obrigar a não duvidar.
Às vezes, você deveria acreditar mais nas minhas mentiras e não me deixar titubear.
Às vezes, você deveria abraçar a mim e aos meus medos.
Às vezes, você podia rir comigo da minha dor.
Às vezes, você não deveria ir embora, deixando-me com essas dúvidas.
E você devia me amarrar até que minha loucura passe.
Às vezes, você podia fazer nossos planos — eu te dou a procuração.
Às vezes, você podia fingir não ouvir meus silêncios e devia não sair de perto em dias não claros, em dias de sol.
Às vezes, você podia mudar os quadros e a posição do sexo.
Podia discordar das minhas frases e me jurar eternidade.
Às vezes, você devia sentir meu cheiro e respirar minha alma.
Deveria não desistir de me olhar dormindo.
Às vezes, eu deveria parar de escrever...


DESAFINADAS ENTRELINHAS

Eu tenho andado distante de tudo que aprendi,
buscando solidão e sarna pra coçar...
eu andei mentindo no espelho,
ouvindo discos que não me dizem nada e até usando aquele batom.
Eu mudei de endereço, de emprego e a cor do cabelo.
Ando em outros ares, lugares e braços... E, sem hipocrisia, eu andei gostando.
Eu parei de fumar; lembro que detestava o cheiro do meu cabelo.
Eu sei, mudei, e de propósito, pra você provar minha fúria, e confesso, meu ego.
Não vigio seus passos, mas parei de escolher seus chapéus.
Parei de planejar os medos e de fazer seu café.
Parei com a boemia e de cuidar dos seus segredos.
Eu parei de brigar, mas sei que senti meu cheiro quando se deita.
E sei que sua cama pequena tá cheia de saudade...
E também sei que o tom da minha voz desafina.
E que seus dedos não me tocam, e ainda assim, seu coração faz música quando me lembra.
Eu sei que, estupidamente, você não lê meus versos, mas também sei que os reconhece nas minhas entrelinhas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

QUEM?

Ainda paro com essa mania de achar que não tenho raízes,
E que possuo asas.
Ainda deixo essa mania de falar demais e numa velocidade que só meu tempo entende...
De querer o universo inteiro e esquecer de abraçar o meu mundo...
De me olhar no espelho procurando-me refletir em um outro plano.
Ainda paro de deitar no chão gelado, olhando pro céu como se tudo fosse tão pequeno...
E eu fosse tão minha assim.
Um dia, abro os olhos e paro de fingir que me pertenço inteira e que eu me acho...
Um dia, paro de me encontrar em tantos cheiros e lugares e descubro que sou desse teu colo.
E ainda paro de escrever meus dias com tanta força nesse papel...
E, quem sabe, eu saiba onde guardei as outras cartas.
Um dia eu ainda paro...
Um dia, ainda me amparo.