quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

DESAFINADAS ENTRELINHAS

Eu tenho andado distante de tudo que aprendi,
buscando solidão e sarna pra coçar...
eu andei mentindo no espelho,
ouvindo discos que não me dizem nada e até usando aquele batom.
Eu mudei de endereço, de emprego e a cor do cabelo.
Ando em outros ares, lugares e braços... E, sem hipocrisia, eu andei gostando.
Eu parei de fumar; lembro que detestava o cheiro do meu cabelo.
Eu sei, mudei, e de propósito, pra você provar minha fúria, e confesso, meu ego.
Não vigio seus passos, mas parei de escolher seus chapéus.
Parei de planejar os medos e de fazer seu café.
Parei com a boemia e de cuidar dos seus segredos.
Eu parei de brigar, mas sei que senti meu cheiro quando se deita.
E sei que sua cama pequena tá cheia de saudade...
E também sei que o tom da minha voz desafina.
E que seus dedos não me tocam, e ainda assim, seu coração faz música quando me lembra.
Eu sei que, estupidamente, você não lê meus versos, mas também sei que os reconhece nas minhas entrelinhas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário