A saudade é traiçoeira,
te pega na esquina, no caminho
e no telhado, se preciso for.
Saudade que te faz alucinar,
confundir os carros, as cores
e os lugares.
Te leva pro passado em instantes,
com o perfume igual de alguém ao lado.
É incrível a dor mansinha
que causa,
mas com a força que um furacão
derruba casas,
e, nesses dias tempestuosos,
meu teto se quebra.
Saudade é um "trem" esquisito,
mesmo quando decidido,
ela insiste em brigar contigo,
com juras de oásis
na firmeza da areia.
Essa é mesmo a saudade:
dama irracional,
sensitiva
e raramente sensata.