quinta-feira, 18 de setembro de 2014

EM SIMPLESMENTE SER

Entre a loucura
e a busca insaciável de amar,
erramos todos os dias nos acertos.
É como se nossos corpos gostassem de cair,
e o frio impulsionasse
o calor de sentir.

Entre a minha loucura
em jogar-me do mais doce desejo,
eu encontro no tempo
a canção que vibra a alma,
que afaga a razão,
que dança com a solidão.
É inevitável não dançar.

No encanto que o medo carrega,
não há quem desgrude
daquela velha sensação de vaidade:
olhar-se no espelho
e se atrever a um elogio,
mesmo que ainda calado,
sussurrado e sutil.

E o sorriso bobo,
de tão esperto,
vai escapando entre os lábios,
pintando o rosto.

Andar nas ruas
já tem uma leveza deliciosa,
e o vento parece saber
o caminho dos cabelos,
que vai embalando
a felicidade de simplesmente ser.

E, no fim,
mesmo encharcado de suspiros longos
e infinitos sonhos,
repousar no colo seguro
ainda é a melhor catarse.

Há quem se repita em amargurar-se.
Vale a pena?

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