quinta-feira, 28 de agosto de 2014

RECUANDO

Somos os opostos,
e sem essa história de se atrair.
Toda vez que eu tento ir embora,
algo me diz pra ficar aqui,
pois… tem seu cheiro,
tem seu jeito,
sua forma de me analisar.

E, nessa agonia de decidir,
ando preferindo recuar,

e foi sobrando só vestígios
desse tempo de amar.
Eu sei que anda meio sem rumo,
tô tentando continuar,
mas tem seu cheiro,
tem seu jeito,
sua forma de me olhar.
É essa minha loucura
que eu tenho em te ignorar.

Somos o desejo
que a história insiste em justificar,
relembrando o passado,
coração que não quer parar,
ando preferindo disfarçar,
jogando conversa fora,
bebendo em qualquer bar.

É bem melhor que agora,
não tem seu jeito,
nem seu cheiro,

só uma vontade de voltar.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

POUCO DE COVARDIA

E no olhar há sempre alguns caprichos,
um à nova vista, um novo suspiro.
Nas mãos, às vezes, corpo,
noutros, um vazio.

O mesmo vazio que brilha nos olhos,
os passos largos e frios.

E toda manhã eu sinto seu cheiro
e a falta desse teu caminho ambíguo,
falta desse nosso tesão
pela dor em sofrer,
desse teu juramento insano,
e da minha loucura
em sempre dizer "sim".

Esse ardor que consome meu peito
e meus pulsos deve ser vaidade,
pois do amor só vejo água rala
e um pouco de pó.

Andei desconstruindo sua morada em mim,
agora só terreno baldio aqui.

Posso, então, seguir
sem pesos, sem malas,
e com um pouco de covardia.

Ainda estou aprendendo
a errar dignamente

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

PÉ SUJO DO CERRADO

Eu sou do mato, do cerrado e do mar.
Não resisto a uma batucada,
um pandeiro e um violão.

Ofereço um presente pro santo,
uso manto e faço meu corpo ajoelhar.
Participo de cavalgada, folia
e danço cacuriá.

Sou do pé na terra
e do forró até o dia raiar.
Converso com o boi,
e sozinha se precisar.

Calada não sou nada,
preciso ouvir o povo,
falar e cantar.
Me faço mesmo é na multidão,
necessito prosear.

Todo dia tem festa, reunião,
"janta" e um som pra tirar.

Quem gosta de mim
tem que aprender o "dois pra lá e dois pra cá".
Tem que ir pra muvuca,
tem que saber chegar.

Gosto de me exibir,
sem "mitidez",
na simplicidade do que é
a minha linda cultura popular.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

SAUDADE COM PÃO E MANTEIGA

Há sempre uma saudade intrínseca,
que permeia os dias longos
e vem sempre acompanhada do tédio.

Ela chega cutucando,
logo de cara, nossa vaidade,
pulsa forte quando descobre o sentimento
e, quando damos conta,
estamos totalmente "fora do ar",
sem remédio.

A saudade é uma palavra fora da lógica, estranha,
e não tem sensação que se possa comparar.
Parece que ela mora nos lugares mais bobos,
nas coisas pequenas,
que só fazem sentido
quando, no tempo, ela permanece.

E essas coisas bobas, como ouvir uma canção
ou passar manteiga no pão,
tornam-se inevitáveis
na lembrança da companhia.

Os meus versos, tão diversos,
tentam traduzir todos os dias
como a saudade é:
doída, alegre, mas muito bem decidida.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

SEM SENTIDOS

O mistério se encerra,
colocando ponto final na história,
fechando janelas e brechas.

Nunca disse que eu estava certa,
nem que não valeu a pena,
mas, uma hora, surgem frases
que não cabem em poemas.

Toda vez que releio
nosso texto equivocado,
sinto indiferença
e o corpo arrepiado.

As frases incompletas
num desenho abstrato,
feito água desaguando,
lembram-me algumas lágrimas.

Sei que, no caminho agora,
é cada um com sua história,
que, na minha versão,
é só parte da memória.

VAIDADE

Seu dorso encurvado de carinho se desfez
não faz mais sentido, mesmo que eu ainda não tenha certeza.

Aquele lugar que me levava
já não faz parte dos meus planos,
e nem mesmo os planos que me levavam.

Cansei-me de suas verdades,
e de suas inúmeras formas de amar
que sufocavam-me.

As tardes estão mais quentes,
e meus passos mais largos,
anda tendo tempo pra sonhar.

Seu beijo ainda me faz falta,
mas é pura vaidade,
pois do gosto amargo eu me lembro.

E nosso canto insosso
eu decorei com grandes quadros,
com um pouco de rancor.

Seu vazio que me enchia
ficou apenas em minhas melodias,
cantadas com dor e alívio.

Sua vida de encruzilhadas,
sua mudança inesperada
desceram rasgando minha certeza.

E cada dia que eu me encontrei
foi me perdendo em seus laços,
refletindo hoje se são “nós”.



BARCO, PERFUME E SORRISO

Já não és desconforto
eu me encontro em seu espaço,
abrindo minhas portas e minhas artérias
sem bambear e disfarçar.

Já não escondo o sorriso
e me encho no seu abraço.
todo resto agora é casa minha,
me assegurando pelos seus gestos mais honestos
sem dar passos pra trás,
sem olhar no espelho e ver dor,
sem esfriar o café.

Agora a melodia me faz sentido,
igualmente ao toque suave das suas mãos tão claras
que vai passeando pelo meu silêncio,
encontrando porto.

Eu pulei do barco seguro
e vi um caminho de primavera;
senti um perfume cítrico,

E vi um sorriso além do meu.
não precisa ter volta.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

VINTE E TRÊS

No teu colo com gosto de carinho
eu me deito e faço casa,
esqueço-me
e te acho
nesse sorriso meu,
nesse abraço nosso,
nessa calma em ter tempo
de tocar o tempo,
dessa sua pressa em planejar,
respondendo-te com minha dúvida,

Com minha decisão de ficar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

POUCO DE COVARDIA

E no olhar há sempre alguns caprichos,
uma nova vista,
um novo suspiro.

Nas mãos, às vezes corpo,
nouttras um vazio,
o mesmo vazio que brilha nos olhos,
os passos largos e frios.

E toda manhã eu sinto seu cheiro
e a falta desse teu caminho ambíguo,
a falta desse nosso tesão pela dor em sofrer,
desse seu juramento insano
e da minha imensa loucura em sempre dizer “sim”.

Esse ardor que consome meu peito e meus pulsos
deve ser vaidade,
pois do amor só vejo água rala
e um pouco de pó.

Andei desconstruindo sua morada em mim,
agora só terreno baldio.

Posso seguir sem malas,
sem pesos
e um pouco de covardia.

Ainda estou aprendendo errar dignamente.

ATEMPORAL

O TEMPO NÃO AJUDA
PASSA DEPRESSA
CAREGANDO SONHOS
SORTE E AMORES
TODA CASO É O MESMO
NÃO IMPORTA A LADAINHA
O TEMPO VEM MESMO
DEIXA-TE EM REVELIA
O TEMPO RESSECA O BRILHO NO OLHAR
A PELE E OS PÊLOS
APELOS QUE UM DIA EU FIZ
MAS JÁ PASSADO TEMPO
NA RUA DA VIDA NUNCA DÁ TEMPO
SER FELIZ É TEMPORAL
ALAGA AS VERDADES QUANDO PASSA
ENCHEM DE POEIRA AS VAIDADES
DEVASTANDO AS PALAVRAS
NEM SEMPRE O TEMPO RESOLVE
ÀS VEZES FREIA A DECISÃO
FAZ LAÇOS VIRAREM NÓS
E CABEÇAS GIRARAM FEITOS PONTEIROS DE RELÓGIO
NO TIC TAC QUE OUÇO
JÁ NÃO ESCUTO A VOZ DO CORAÇÃO
SIGO MEDIANDO PASSOS
CRONOMETRANDO OS SORRISOS
ESSE É O CORPO QUE VAI SEM TEMPO

PASSANDO NO TEMPO DA ULUSÃO

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CORDEL DAS 5

DESSA VEZ É DIFERENTE O JEITO DE IMPROVISAR
NÃO DEIXO OS VERSOS SOLTOS
POIS SÓ PENSO EM RIMAR
UM CORDEL EU VOU FAZER
PRA SAIR DA MESMICE DE POETIZAR

JÁ PENSEI EM TANTOS TEMAS
CADA COISA NO LUGAR
MAS EU SINTO MESMO
QUE ESSE TREM TA DEVAGAR
RABISQUEI VÁRIOS PAPEIS
E NADA DE ALGO PRA FALAR

MINHA VIDA É BEM CORRIDA
MAS DÁ TEMPO DE SONHAR
ACORDO ÁS 5 TODO DIA
E TENHO TEMPO DE CANTAR

LAVO A LOUÇA QUANDO CHEGO
E ENSINO O JOÃO ESTUDAR
ESSA VIDA DE MÃE E "MUIÉ''
E MESMO DE ARREPIAR

E AINDA TEM A UNIVERSIDADE
QUE ANDA MEIO PRA LÁ
ESTUDANDO POUCO
POIS SÓ ANDA TENDO TEMPO DE TRABALHAR

MAS EU NÃO RECLAMO MUITO
POIS FELIZ EU SOU SEM DESCANSAR
TENHO MUITOS AMIGOS
EM QUE POSSO CONFIAR
TENHO UM FILHO LINDO
E UMA CABEÇA BOA PRA PENSAR

UM AMOR BEM NOVINHO
TAL DE BRANQUINHO
OUVIU FALAR?
SEM FALAR NO MEU CANTINHO
E NA MINHA CAMA PRA DEITAR
E DO TRABALHO EU GANHO O PÃO
E NUNCA VAI ME VER CHORAMINGAR
POIS EU VIVO DE ARTE
E NELA EU QUERO MORAR




terça-feira, 12 de agosto de 2014

SEGUNDO DEMORADO

GOSTEI DE TE ESBARRAR
MESMO QUE EU NÃO SAIA DO LUGAR
O VAZIO JÁ ANDA LONGE
E OS MEUS OLHOS TEM FOCOS DE LUZ
GOSTEI DE TE OUVIR
CADA PALAVRA ENCHE O MEU CADERNO
E NOS TRAÇOS FINOS DO TEU LÁPIS
TU DESENHAS O MEU SORRISO
SUAS MÃOS ME DÃO AMOR
E SEU COLO TEM CHEIRO DE PAZ
GOSTEI DE VIVENCIAR
TEU GOSTO RARO E SIMILAR
NUM SEGUNDO DEMORADO
NUM BEIJO DEVAGAR
GOSTEI DE ME ACHAR
NO SEU JEITO FARTO DE CERTEZAS
NO MEU TAPETE
E NOS MEUS MEDOS
GOSTEI DE DISFARÇAR
MEU DESEJO LOUCO EM TE QUERER
EM SEU SORRISO BOBO EM ENTENDER
QUE AINDA HÁ TEMPO PRA NÓS DOIS

COLO APERTADO

FECHO OS OLHOS
VEM-ME VOCÊ
ESCUTO-TE AQUI SEM PERCEBER
E OLHO PRO NADA DEVAGAR
BUSCANDO SOLUÇÃO
BUSCANDO-ME ENCONTRAR
MAS EU ME PERCO
OLHANDO SEU DOCE CÉU
NUM TEMPO QUE EU NEM MESMO CONSIGO VER
VEJO SUA BOCA FEL
DESENHO EM SILÊNCIO AO TE ENTENDER
E NÃO ENTENDO NADA AINDA
QUERO MESMO ENLOUQUECER
NO COLO APERTADO DE SOLUÇAR
ESCREVENDO COISAS BOBAS
SEM NEXOS
SEM PERFUME
SEM PUDOR