E no olhar há sempre alguns caprichos,
um à nova vista, um novo suspiro.
Nas mãos, às vezes, corpo,
noutros, um vazio.
O mesmo vazio que brilha nos olhos,
os passos largos e frios.
E toda manhã eu sinto seu cheiro
e a falta desse teu caminho ambíguo,
falta desse nosso tesão
pela dor em sofrer,
desse teu juramento insano,
e da minha loucura
em sempre dizer "sim".
Esse ardor que consome meu peito
e meus pulsos deve ser vaidade,
pois do amor só vejo água rala
e um pouco de pó.
Andei desconstruindo sua morada em mim,
agora só terreno baldio aqui.
Posso, então, seguir
sem pesos, sem malas,
e com um pouco de covardia.
Ainda estou aprendendo
a errar dignamente
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