Dentro de mim
crescia uma luz,
iluminava meu próprio
poder de existir,
desafiando meu ritmo
e tempo,
bagunçando a casa
e arrumando a alma.
Sentindo medos
e passando segurança,
contando histórias
e aprendendo a viver.
Cada suspiro novo
era um despertar,
cada noite em claro
era um sorriso bobo
me encantando.
Eu já nem me reconhecia,
meu corpo, que ganhara
uma extensão;
transformei-me, de repente,
em mil.
Dançava,
cantava,
eu era um palhaço azul,
e sabia que, nesse palco,
eu podia —
e quebrava a quarta parede.
Sorrir já é
de uma facilidade,
e cada coisa que eu vejo
me lembra sua pele.
Eu sei que o mundo
virou de cabeça pra baixo,
mas, na virada,
caía tudo
que não tivesse você.
Senti uma imensa âncora
nos meus pés,
mas sem sofrimento,
com medos,
com posturas
e com ditados.
Eu já me repetia,
e, quando me olhava
no espelho,
via o meu passado.
O mundo ficou azul,
e agora eu já chorava
com cenas de filme,
arrepiava-me com um beijo
e passava todas as tardes
suja de tinta e chocolate.
Reaprendi a fazer
as contas de matemática
e sobre interseção.
Sei tudo sobre peixes
e tubarões,
e aprendendo
sobre dinossauros.
Na livraria, agora,
visito mais de uma sessão,
e as balas já não têm
o mesmo gosto.
Tudo mudou de cor
e tom,
eu já não sei viver
sem meu João.
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