quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PRESENTE

Presente no verso, no tempo e no ar,
nos domingos, nos filhos e nos planos.
Sua música, meu samba.
Seus dias e minha cama.
Suas mãos nas minhas costas,
e seu sorriso bobo na quarta à noite.
Seu novo perfume e minhas dores.
Seus dias e o meu tempo corrido.
Minha voz e o som de sua guitarra.
Sua nova jaqueta e meu time ganhando.
Flores na sala e no caminho.
Dias de domingo,

São sempre domínio.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

3 OU 5


Seus sonhos são meus,
e tudo ficou mais calmo depois que você chegou.
Acalmou as águas e o coração.
Chegou de repente,
eu bem me lembro,
como furacão soprou em meus olhos mais embaçados,
só pra eu te enxergar.
Completa os dias, as frases e o espaço no sofá.
Mistura-se na minha mais perfeita obra de amor,
e nós gostamos.
Eram dois dias e viraram cinco ou seis; sobrou um pra lavar a roupa.
E, ainda assim, é pouco.
Somos três e somaremos cinco, lembra?
Todos os dias mais insanos, mais simples...

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

NOITES FRIAS

Eu sempre quis ser vento,
Pra passar como brisa e, às vezes, furacão,
Dando as voltas que tinha vontade, e
mudando os rumos quando achasse necessário.
Eu quis ser vento, deixar pra trás as ruas, casas, cidades,
e amores, carregando somente os perfumes e os espalhando pelo caminho.
Eu quis ser vento pra já nascer sabendo voar,
sem medos, sem calcular força.
Só não lembrei que o vento empurra tudo ao redor, atira longe,
faz estragos e deixa dores em todos os lados quando é furacão,
Que ele é solitário e confuso, muda de rumo o tempo todo.
Esse mesmo vento que nos refresca é o mesmo que bagunça, que faz cair.
É o mesmo vento que traz as noites frias e longas.

No fim, quem há de querer tanta ventania em um só?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

VENTOS

Meu presente é um papel branco,
escrevo beijos e abraços,
Em uma história que começou “no fim da linha”.
Numa tarde cinza e barulhenta,
eu via surgir seu aceno e minhas pernas ia seguindo no mesmo ritmo.
Alguns goles de rum e outros de alegria.
Eu me sinto bem em sua companhia.
O vento tira a gente do caminho,
com a pressa de beija-flor.
À força, sem perguntar opinião.
O vento que muda a brisa,
empurra lágrimas que ainda escorrem.
É sempre o vento que atropela os desejos e os medos,
que esbarra em nossa solidão.
Não dando passagem, nem tempo de escolher.
E de repente nos encontramos em outro caminho,
em outro colo, embaraçado, confuso.
E então esse vento se acalma,
e vai deixando os dias normais,
os colos aconchegantes e serenos.
O sol reaparece e surgem novos medos.
A estrada agora parece longa,
e sem nenhuma nuvem atrapalhando a visão.
E assim seguem esses novos dias, nesses novos colos,
até que os ventos voltem e mudem os rumos novamente.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Reza crua

Um nó na garganta e outro nos sapatos.
Todas as manhãs se repetem da mesma forma,
mantendo o mesmo sorriso e o mesmo amargo na boca que você deixou.
Mas hoje o meu grito estava rouco, cansado de tanto silêncio e dor,
cantando as melancolias entre um surto e outro,
entre um caso e outro.
Não é saudade, é a falta...
E a cama bagunçada, e os corpos trocados, e os desejos com falta de amor.
Eu ainda me encontro em você, em todos os defeitos, em todos os tropeços e em todos os meus receios.
Onde você me encontra agora?

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

VAIDADE

A dor é bebida que sacia a inspiração,
que move os medos e os improváveis desejos de ser o outro.
É nela que nos enxergamos,
é por ela que falamos nossos segredos mais íntimos,
perdemos a razão e nos encontramos.
Com a dor dançamos a canção da solidão,
em passos curtos e rastejados.
É a melhor companhia das tardes frias e do espelho,
de um cigarro e de um gole de vinho.
Faz par com a dramaticidade, e tens ali o mais lindo dos casos de amor.
A dor dói, corta e esconde o sangrar.
Os dias são improdutivos,
mas cheios de pedaços de papéis escritos pela metade,
espalhados pela casa.
Alguns discos jogados,
alguns copos e alguns sorrisos no canto da boca,

Pura vaidade!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

PERFUME

É o fim.
E, mais uma vez, eu juro de pés juntos.
Não vou mais ligar e nem te lembrar no café,
não vou mais beijar lembrando teu gosto,
nem ouvir aquela música predileta,
nem comprar teu perfume só pra te sentir.
Sim, é o fim.
Com ponto final e tudo,
com novo amor,
com novos sonhos.
Agora, só aperto no coração,

e uma brisa de saudade.

ÂNCORA

Sim! Eu pensei por alguns instantes em seguir,
deixar o barco.
Eu pensei em pular, mas não pude.
As águas não correm mais tão leves,
percorrem meu corpo e meu tempo.
Há âncoras aqui.
Esse pesar me finca no teu mundo,
já vivi isso antes.
E eu me jogo outra vez,
questiono-me: onde estão os meus medos?
Seguro suas mãos,
e meu corpo vai velozmente virando uma extensão do seu.
Sua respiração se confunde à minha,
seu beijo tem meu gosto.
Não há como nadar nesse mar,

eu me afogaria se pulasse do barco.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

TARDE

Só me pediu oração
e foi quase embora
de forma tão ingênua.

Mas eu juro que vi
nos seus olhos
a sede que teve em me abraçar,
mas, como qualquer,
quis despedir assim,
de cabeça erguida.

De longe eu sentia
seu suspiro baixinho
e frequente,
mas nada vi no seu olhar,
que se mantinha firme
nos seus sapatos.

Entrou no carro,
afrouxou os cintos
e seguiu
ao som de Jorge Ben.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

VAIDADE II

Ruas vazias de amor,
sedes de ilusão.
Sem ar, eu sigo sem pudor,
derrubando os medos
como se eu fosse um herói,
e nada mais me importa
além de poder voltar pra casa.

Chuvas tão ácidas
quanto minhas palavras,
ventos fortes
como meu olhar.
Eu penso que posso
não voltar pra casa.

As primaveras e verões
se confundem,
meu sol não é mais quente.
E a neblina me cegou
pra verdade,
e eu insisto em negar.

Sem meu egocentrismo,
eu já virei pó.
Por onde meus pés tocam,
o verde muda de cor,
e meu pulmão diminui
a cada suspiro livre de culpas.

Eu finjo fazer minha parte
dignamente.
Tudo tão correto
que eu não sei
o que é errado.

COR DE CORAL

Com simplicidade e clareza,
sua maior fonte de juventude
é o sorriso.

Ele, que brota de sua boca
cor de coral,
afasta qualquer tristeza
e traz o inexplicável brilho
em seus olhos,
mesmo após um dia exausto.

Sua arqueada de sobrancelha,
tão sua por “pertencência”,
esconde o medo
apimentado com segurança.

No banho, afoga qualquer empecilho
que seus pés tenham tropeçado pelo caminho,
e todos os dias ela grita
com sua falta de coragem,
nocauteando a incerteza
enquanto pinta suas unhas de vermelho.

E em seu longo caminho durante o dia,
saltando de nave em nave
cheias de “figuras” pálidas,
ela só se prende
ao seu velho aparelho
tocador de música.

E, nesse momento,
tudo vira trilha sonora,
como se estivesse num filme
e ela fosse a protagonista da cena.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

RÁDIO VELHO

Dos teus amores antigos,
agora sou um,
desses que deixaram saudades,
perfumes
e alguns goles de rum.

Desses que tu gostas de lembrar,
como das vezes
que colocava músicas
no seu rádio velho —
perdia tardes...

Agora sou um
dos teus amores antigos,
guardada numa agenda velha
e no lembrete de aniversário.

Sou agora bem melhor que antes,
mais sutil e interessante.
Agora sou assunto de bar,
virei história pros teus amigos
e pra quando tiver seus filhos.

Sou teu escape,
teu ciúme
e tuas dúvidas.
Virei santa,
tantas
e única.

Sou, dos teus amores antigos,
o que lhe causa ansiedade
quando me comparas
à tua realidade.

Das fotos escondidas e ocultas,
sei que ainda me olhas por vaidade —
uma pitada de egoísmo
e saudade.

E, como amor antigo,
já fui,
sem rastros,
sem laços,
deixando páginas rasgadas,
sujas,

mas escritas a lápis...

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

MEU POSEIDON

Dentro de mim
crescia uma luz,
iluminava meu próprio
poder de existir,
desafiando meu ritmo
e tempo,
bagunçando a casa
e arrumando a alma.

Sentindo medos
e passando segurança,
contando histórias
e aprendendo a viver.
Cada suspiro novo
era um despertar,
cada noite em claro
era um sorriso bobo
me encantando.

Eu já nem me reconhecia,
meu corpo, que ganhara
uma extensão;
transformei-me, de repente,
em mil.
Dançava,
cantava,
eu era um palhaço azul,
e sabia que, nesse palco,
eu podia —
e quebrava a quarta parede.

Sorrir já é
de uma facilidade,
e cada coisa que eu vejo
me lembra sua pele.
Eu sei que o mundo
virou de cabeça pra baixo,
mas, na virada,
caía tudo
que não tivesse você.

Senti uma imensa âncora
nos meus pés,
mas sem sofrimento,
com medos,
com posturas
e com ditados.
Eu já me repetia,
e, quando me olhava
no espelho,
via o meu passado.

O mundo ficou azul,
e agora eu já chorava
com cenas de filme,
arrepiava-me com um beijo
e passava todas as tardes
suja de tinta e chocolate.

Reaprendi a fazer
as contas de matemática
e sobre interseção.
Sei tudo sobre peixes
e tubarões,
e aprendendo
sobre dinossauros.

Na livraria, agora,
visito mais de uma sessão,
e as balas já não têm
o mesmo gosto.
Tudo mudou de cor
e tom,

eu já não sei viver
sem meu João.

SEU NOME

Clarice,
tantos nomes significam,
mas é seu por merecer.

Clarice,
uma simplicidade
que chega à complexidade.

Herdou da vó
um nome de clareza,
como água límpida,
mas que engana
na profundeza.

No canto,
ela quer alcançar a liberdade,
e, na dança,
busca sem ritmo
o caminho da vida.

Todos os dias
ela se deita
dando seu último,
bem dado suspiro,
e, logo pela manhã,
recomeça
como se fosse
seu primeiro dia de vida.

Parece mania,
praga, sei lá;
todo nome Clarice
traz consigo uma angústia,
apimentada de felicidade
e asas nos pés.

Parece não dar tempo
de viver tudo aquilo
que ela pensa ser.

FRESTA

O vento batia,
e, pela fresta da porta, entrava a brisa,
e essa brisa batia em minhas pernas,
subindo suave e intrigante,
enquanto eu observava
onde suas mãos passeavam.

Uma luz pálida iluminava o quarto,
e o calor se espalhava
junto com suas mãos.

Os sons dos carros
iam deixando a velocidade
equiparada com a respiração,
que eu já não sabia
se era minha ou sua,
e o pulsar,
cada segundo,
mais eficaz e firme.

O gosto se misturava
em nosso céu,
e minha boca sussurrava um segredo...

Não sei se é manhã ou tarde;
o tempo, agora, tanto faz,
já temos o nosso ritmo.

Um giro, dois ou três...
perdi as contas.
Somos todos num só.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Dama Sensata

A saudade é traiçoeira,
te pega na esquina, no caminho
e no telhado, se preciso for.

Saudade que te faz alucinar,
confundir os carros, as cores
e os lugares.
Te leva pro passado em instantes,
com o perfume igual de alguém ao lado.

É incrível a dor mansinha
que causa,
mas com a força que um furacão
derruba casas,
e, nesses dias tempestuosos,
meu teto se quebra.

Saudade é um "trem" esquisito,
mesmo quando decidido,
ela insiste em brigar contigo,
com juras de oásis
na firmeza da areia.

Essa é mesmo a saudade:
dama irracional,
sensitiva
e raramente sensata.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

SEM PUDOR

Todo mundo já viu
seu carinho brando.

E cada olhar que eu lanço,
cada sorriso que eu pinto
com aquele meu batom vermelho,
e mesmo você tirando num beijo,
estampa ainda mais meu riso largo.

Todo mundo percebeu
que seu abraço é apertado,
mas não sufoca,
apenas envolve meu jeito
que agora é seu,
e eu nem sei
se quero lembrar o passado.

Eu gosto dos seus dias,
de como vai desenhando nosso tempo,
de como tudo é tão simples.

Fico boba,
te observando me ver cantar,
me vendo sem pudor,
e eu só quero
que os dias passem devagar.

EM SIMPLESMENTE SER

Entre a loucura
e a busca insaciável de amar,
erramos todos os dias nos acertos.
É como se nossos corpos gostassem de cair,
e o frio impulsionasse
o calor de sentir.

Entre a minha loucura
em jogar-me do mais doce desejo,
eu encontro no tempo
a canção que vibra a alma,
que afaga a razão,
que dança com a solidão.
É inevitável não dançar.

No encanto que o medo carrega,
não há quem desgrude
daquela velha sensação de vaidade:
olhar-se no espelho
e se atrever a um elogio,
mesmo que ainda calado,
sussurrado e sutil.

E o sorriso bobo,
de tão esperto,
vai escapando entre os lábios,
pintando o rosto.

Andar nas ruas
já tem uma leveza deliciosa,
e o vento parece saber
o caminho dos cabelos,
que vai embalando
a felicidade de simplesmente ser.

E, no fim,
mesmo encharcado de suspiros longos
e infinitos sonhos,
repousar no colo seguro
ainda é a melhor catarse.

Há quem se repita em amargurar-se.
Vale a pena?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

CAPIM CIDREIRA

Eu quero achar um canto
dessa vez diferente,
onde meus medos não entrem
e os sonhos possam fazer morada.

Vou pintar as paredes de amor
e dar um brilho de tristeza;
não há quem aguente tanta felicidade!

Quero que o tapete limpe
e deixe de fora todas as dores,
que os espelhos reflitam nossa sintonia,
que as gavetas vazias
não guardem passado,
somente o necessário.

E que os retratos sejam de sorrisos,
às vezes, amarelos.
Todas as manhãs
preparar nosso dia com café,
e queimar, não as torradas,
mas toda a falta de fé.

Quero três filhos nossos,
e o meu pra virar par.
O João, uma Maria,
a Clara, e o outro… vamos pensar.

No quintal, já sonho
com pé de jabuticaba,
de goiaba e maracujá,
sem esquecer a laranjeira
e o capim-cidreira
pras tardes de chá.

Uma cadeira de balanço,
mas essa é pra quando a vó visitar…

E, se nada for assim,
sou feliz em ter seu colo
pra sonhar.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

VISITA

PODE ENTRAR,
AS COISAS ESTÃO NO MESMO LUGAR,
ALGUNS SONHOS NOVOS NA SALA.
PODE FALAR,
EU JÁ OUVI TUDO ANTES, MAS DE OUTRO LUGAR.
TUDO QUE VOCÊ ME PEDE AGORA PRA ACREDITAR,
EU DUVIDO, SIM, EU DOU OUVIDO.
MAS,NÃO QUERO TE OLHAR, NÃO É RECEIO, NEM MÁGOA,
E SÓ PORQUE AS COISAS JÁ NÃO ESTÃO NO MESMO PATAMAR,
E OS SIGNIFICADOS, TODOS, DEIXADOS PRA LÁ.
EU SEMPRE TE DISSE QUE  FECHASSE A PORTA ANTES DE IR,
MAS VOCÊ DEIXOU ABERTA E AGORA NOVOS ARES VIERAM PASSEAR EM MIM.
NÃO É POR VAIDADE, MAS EU SEI EXATAMENTE A DOR QUE SENTE,
E MESMO ASSIM, ELA, A DOR, NÃO ME VISITA MAIS.




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

RECUANDO

Somos os opostos,
e sem essa história de se atrair.
Toda vez que eu tento ir embora,
algo me diz pra ficar aqui,
pois… tem seu cheiro,
tem seu jeito,
sua forma de me analisar.

E, nessa agonia de decidir,
ando preferindo recuar,

e foi sobrando só vestígios
desse tempo de amar.
Eu sei que anda meio sem rumo,
tô tentando continuar,
mas tem seu cheiro,
tem seu jeito,
sua forma de me olhar.
É essa minha loucura
que eu tenho em te ignorar.

Somos o desejo
que a história insiste em justificar,
relembrando o passado,
coração que não quer parar,
ando preferindo disfarçar,
jogando conversa fora,
bebendo em qualquer bar.

É bem melhor que agora,
não tem seu jeito,
nem seu cheiro,

só uma vontade de voltar.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

POUCO DE COVARDIA

E no olhar há sempre alguns caprichos,
um à nova vista, um novo suspiro.
Nas mãos, às vezes, corpo,
noutros, um vazio.

O mesmo vazio que brilha nos olhos,
os passos largos e frios.

E toda manhã eu sinto seu cheiro
e a falta desse teu caminho ambíguo,
falta desse nosso tesão
pela dor em sofrer,
desse teu juramento insano,
e da minha loucura
em sempre dizer "sim".

Esse ardor que consome meu peito
e meus pulsos deve ser vaidade,
pois do amor só vejo água rala
e um pouco de pó.

Andei desconstruindo sua morada em mim,
agora só terreno baldio aqui.

Posso, então, seguir
sem pesos, sem malas,
e com um pouco de covardia.

Ainda estou aprendendo
a errar dignamente

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

PÉ SUJO DO CERRADO

Eu sou do mato, do cerrado e do mar.
Não resisto a uma batucada,
um pandeiro e um violão.

Ofereço um presente pro santo,
uso manto e faço meu corpo ajoelhar.
Participo de cavalgada, folia
e danço cacuriá.

Sou do pé na terra
e do forró até o dia raiar.
Converso com o boi,
e sozinha se precisar.

Calada não sou nada,
preciso ouvir o povo,
falar e cantar.
Me faço mesmo é na multidão,
necessito prosear.

Todo dia tem festa, reunião,
"janta" e um som pra tirar.

Quem gosta de mim
tem que aprender o "dois pra lá e dois pra cá".
Tem que ir pra muvuca,
tem que saber chegar.

Gosto de me exibir,
sem "mitidez",
na simplicidade do que é
a minha linda cultura popular.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

SAUDADE COM PÃO E MANTEIGA

Há sempre uma saudade intrínseca,
que permeia os dias longos
e vem sempre acompanhada do tédio.

Ela chega cutucando,
logo de cara, nossa vaidade,
pulsa forte quando descobre o sentimento
e, quando damos conta,
estamos totalmente "fora do ar",
sem remédio.

A saudade é uma palavra fora da lógica, estranha,
e não tem sensação que se possa comparar.
Parece que ela mora nos lugares mais bobos,
nas coisas pequenas,
que só fazem sentido
quando, no tempo, ela permanece.

E essas coisas bobas, como ouvir uma canção
ou passar manteiga no pão,
tornam-se inevitáveis
na lembrança da companhia.

Os meus versos, tão diversos,
tentam traduzir todos os dias
como a saudade é:
doída, alegre, mas muito bem decidida.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

SEM SENTIDOS

O mistério se encerra,
colocando ponto final na história,
fechando janelas e brechas.

Nunca disse que eu estava certa,
nem que não valeu a pena,
mas, uma hora, surgem frases
que não cabem em poemas.

Toda vez que releio
nosso texto equivocado,
sinto indiferença
e o corpo arrepiado.

As frases incompletas
num desenho abstrato,
feito água desaguando,
lembram-me algumas lágrimas.

Sei que, no caminho agora,
é cada um com sua história,
que, na minha versão,
é só parte da memória.

VAIDADE

Seu dorso encurvado de carinho se desfez
não faz mais sentido, mesmo que eu ainda não tenha certeza.

Aquele lugar que me levava
já não faz parte dos meus planos,
e nem mesmo os planos que me levavam.

Cansei-me de suas verdades,
e de suas inúmeras formas de amar
que sufocavam-me.

As tardes estão mais quentes,
e meus passos mais largos,
anda tendo tempo pra sonhar.

Seu beijo ainda me faz falta,
mas é pura vaidade,
pois do gosto amargo eu me lembro.

E nosso canto insosso
eu decorei com grandes quadros,
com um pouco de rancor.

Seu vazio que me enchia
ficou apenas em minhas melodias,
cantadas com dor e alívio.

Sua vida de encruzilhadas,
sua mudança inesperada
desceram rasgando minha certeza.

E cada dia que eu me encontrei
foi me perdendo em seus laços,
refletindo hoje se são “nós”.



BARCO, PERFUME E SORRISO

Já não és desconforto
eu me encontro em seu espaço,
abrindo minhas portas e minhas artérias
sem bambear e disfarçar.

Já não escondo o sorriso
e me encho no seu abraço.
todo resto agora é casa minha,
me assegurando pelos seus gestos mais honestos
sem dar passos pra trás,
sem olhar no espelho e ver dor,
sem esfriar o café.

Agora a melodia me faz sentido,
igualmente ao toque suave das suas mãos tão claras
que vai passeando pelo meu silêncio,
encontrando porto.

Eu pulei do barco seguro
e vi um caminho de primavera;
senti um perfume cítrico,

E vi um sorriso além do meu.
não precisa ter volta.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

VINTE E TRÊS

No teu colo com gosto de carinho
eu me deito e faço casa,
esqueço-me
e te acho
nesse sorriso meu,
nesse abraço nosso,
nessa calma em ter tempo
de tocar o tempo,
dessa sua pressa em planejar,
respondendo-te com minha dúvida,

Com minha decisão de ficar.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

POUCO DE COVARDIA

E no olhar há sempre alguns caprichos,
uma nova vista,
um novo suspiro.

Nas mãos, às vezes corpo,
nouttras um vazio,
o mesmo vazio que brilha nos olhos,
os passos largos e frios.

E toda manhã eu sinto seu cheiro
e a falta desse teu caminho ambíguo,
a falta desse nosso tesão pela dor em sofrer,
desse seu juramento insano
e da minha imensa loucura em sempre dizer “sim”.

Esse ardor que consome meu peito e meus pulsos
deve ser vaidade,
pois do amor só vejo água rala
e um pouco de pó.

Andei desconstruindo sua morada em mim,
agora só terreno baldio.

Posso seguir sem malas,
sem pesos
e um pouco de covardia.

Ainda estou aprendendo errar dignamente.

ATEMPORAL

O TEMPO NÃO AJUDA
PASSA DEPRESSA
CAREGANDO SONHOS
SORTE E AMORES
TODA CASO É O MESMO
NÃO IMPORTA A LADAINHA
O TEMPO VEM MESMO
DEIXA-TE EM REVELIA
O TEMPO RESSECA O BRILHO NO OLHAR
A PELE E OS PÊLOS
APELOS QUE UM DIA EU FIZ
MAS JÁ PASSADO TEMPO
NA RUA DA VIDA NUNCA DÁ TEMPO
SER FELIZ É TEMPORAL
ALAGA AS VERDADES QUANDO PASSA
ENCHEM DE POEIRA AS VAIDADES
DEVASTANDO AS PALAVRAS
NEM SEMPRE O TEMPO RESOLVE
ÀS VEZES FREIA A DECISÃO
FAZ LAÇOS VIRAREM NÓS
E CABEÇAS GIRARAM FEITOS PONTEIROS DE RELÓGIO
NO TIC TAC QUE OUÇO
JÁ NÃO ESCUTO A VOZ DO CORAÇÃO
SIGO MEDIANDO PASSOS
CRONOMETRANDO OS SORRISOS
ESSE É O CORPO QUE VAI SEM TEMPO

PASSANDO NO TEMPO DA ULUSÃO

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

CORDEL DAS 5

DESSA VEZ É DIFERENTE O JEITO DE IMPROVISAR
NÃO DEIXO OS VERSOS SOLTOS
POIS SÓ PENSO EM RIMAR
UM CORDEL EU VOU FAZER
PRA SAIR DA MESMICE DE POETIZAR

JÁ PENSEI EM TANTOS TEMAS
CADA COISA NO LUGAR
MAS EU SINTO MESMO
QUE ESSE TREM TA DEVAGAR
RABISQUEI VÁRIOS PAPEIS
E NADA DE ALGO PRA FALAR

MINHA VIDA É BEM CORRIDA
MAS DÁ TEMPO DE SONHAR
ACORDO ÁS 5 TODO DIA
E TENHO TEMPO DE CANTAR

LAVO A LOUÇA QUANDO CHEGO
E ENSINO O JOÃO ESTUDAR
ESSA VIDA DE MÃE E "MUIÉ''
E MESMO DE ARREPIAR

E AINDA TEM A UNIVERSIDADE
QUE ANDA MEIO PRA LÁ
ESTUDANDO POUCO
POIS SÓ ANDA TENDO TEMPO DE TRABALHAR

MAS EU NÃO RECLAMO MUITO
POIS FELIZ EU SOU SEM DESCANSAR
TENHO MUITOS AMIGOS
EM QUE POSSO CONFIAR
TENHO UM FILHO LINDO
E UMA CABEÇA BOA PRA PENSAR

UM AMOR BEM NOVINHO
TAL DE BRANQUINHO
OUVIU FALAR?
SEM FALAR NO MEU CANTINHO
E NA MINHA CAMA PRA DEITAR
E DO TRABALHO EU GANHO O PÃO
E NUNCA VAI ME VER CHORAMINGAR
POIS EU VIVO DE ARTE
E NELA EU QUERO MORAR




terça-feira, 12 de agosto de 2014

SEGUNDO DEMORADO

GOSTEI DE TE ESBARRAR
MESMO QUE EU NÃO SAIA DO LUGAR
O VAZIO JÁ ANDA LONGE
E OS MEUS OLHOS TEM FOCOS DE LUZ
GOSTEI DE TE OUVIR
CADA PALAVRA ENCHE O MEU CADERNO
E NOS TRAÇOS FINOS DO TEU LÁPIS
TU DESENHAS O MEU SORRISO
SUAS MÃOS ME DÃO AMOR
E SEU COLO TEM CHEIRO DE PAZ
GOSTEI DE VIVENCIAR
TEU GOSTO RARO E SIMILAR
NUM SEGUNDO DEMORADO
NUM BEIJO DEVAGAR
GOSTEI DE ME ACHAR
NO SEU JEITO FARTO DE CERTEZAS
NO MEU TAPETE
E NOS MEUS MEDOS
GOSTEI DE DISFARÇAR
MEU DESEJO LOUCO EM TE QUERER
EM SEU SORRISO BOBO EM ENTENDER
QUE AINDA HÁ TEMPO PRA NÓS DOIS

COLO APERTADO

FECHO OS OLHOS
VEM-ME VOCÊ
ESCUTO-TE AQUI SEM PERCEBER
E OLHO PRO NADA DEVAGAR
BUSCANDO SOLUÇÃO
BUSCANDO-ME ENCONTRAR
MAS EU ME PERCO
OLHANDO SEU DOCE CÉU
NUM TEMPO QUE EU NEM MESMO CONSIGO VER
VEJO SUA BOCA FEL
DESENHO EM SILÊNCIO AO TE ENTENDER
E NÃO ENTENDO NADA AINDA
QUERO MESMO ENLOUQUECER
NO COLO APERTADO DE SOLUÇAR
ESCREVENDO COISAS BOBAS
SEM NEXOS
SEM PERFUME
SEM PUDOR

terça-feira, 29 de julho de 2014

SEM BOLSOS

NÃO HÁ AMOR SEM DESEJO
SEM MEDO
TRAIÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM EGO
ZELO INTUIÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM SEXO
BEIJOS
ILUSÃO
NÃO HÁ AMOR SEM TEXTO
CARTÃO
OLHAR EM VÃO
NÃO HÁ AMOR SEM DATAS
SEM FALAS
TENTAÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM FREIO
LOUCURA
SEDUÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM ANTES
PAIXÃO
PERDIÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM OUTROS
SEM BOLSOS
DEDUÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM DOIS
SEM VOZ
FRUSTRAÇÃO
NÃO HÁ AMOR SEM MENTIRA
COM VACINA
MEDICAÇÃO
NÃO HÁ AMOR CALADO
ACANHADO
SEM NOÇÃO
NÃO HÁ AMOR SENSATO
NÃO VICIADO
COM EDUCAÇÃO
NÃO HÁ AMOR COMPLETO
COM TETO
SUSTENTAÇÃO
NÃO HÁ AMOR QUE DURE
PERDURE
PUNIÇÃO
NÃO HÁ AMOR PERFEITO
SEM FLORES
MUNIÇÃO
NÃO HÁ AMOR QUE NÃO BROTE
NEM DESABROCHE
EM FRAÇÃO
NÃO HÁ AMOR PRA SEMPRE
PERMANENTE
FIRMAÇÃO
NÃO HÁ AMOR EM NADA
DESSE JEITO
QUERO NÃO!


segunda-feira, 28 de julho de 2014

JEITO BOBO

DEIXOU-ME SEM CHÃO
E O QUE FAÇO AGORA
COM AS ROUPAS AQUI NO CHÃO
COM SEU TOQUE AVELUDADO
COM MEU SANGUE AMARELADO
EM TE VER FECHAR A PORTA

COMO ME PERDOAR EM CONCORDAR
QUE O MELHOR É DEIXAR PRA LÁ
E SEGUIR SEM DIREÇÃO

COMO EU FICO A RESPIRAR
SE UMA PARTE DO MEU CORPO
LEVOU EM SUA MÃO

O QUE FAÇO NAS HORAS
COM ESSE FRIO LÁ FORA
COM MEU JEITO BOBO

COM TUA INDECISÃO

TEMPO DA BATUCADA

SE EU QUISER SILÊNCIO
JÁ NÃO POSSO MAIS
AQUI HÁ UM CORAÇÃO BATUCANDO
FAZ SAMBA SAMBANDO SÓ DE  TE VER
EU QUE ME REPETI
QUE CONSEGURIA SAIR DAQUI
SEM AO MENOS SENTIR SAUDADE EM VOLTAR
EU QUIS GRITAR DE NOVO
MOSTRAR PRO POVO
QUE EU SINTO EM VOCÊ
UMA DOR EM PERDER
MAS SÓ DE TE DIZER
QUE FAZ SENTIDO TER
 O TEU COLO É MEU
NOS SEUS BRAÇOS EU VÔO
SINTO O VENTO BATER
JUNTO COM SEU CORPO
JUNTO COM MEU QUERER
E MESMO QUE EU DIGA NÃO
NÃO HÁ SOLIDÃO 
AO PENSAR EM VOCÊ

MUDANDO O RUMO

SEI LÁ
ACHO QUE PRECISO MUDAR
DE LUGAR
DE OPINIÃO
DE SEXO
RELIGIÃO
MUDAR DE AMOR
DE RUMO
DE TUDO
PRECISO MUDAR DE BEIJO
DESEJO
DE LOUCURA
MUDAR DE AMOR
DE DOR
DE ESTAÇÃO
PRECISANDO MUDAR DE IDEIA
DE LÍNGUA
DE SOLIDÃO
ANDO PRECISANDO MUDAR DE OUTRORA
AGORA
DE VISÃO
PRECISO MUDAR DE PELE
DE MEDOS
DE SONHOS
MUDAR A COR DO CABELO
OS SEIOS
FICAR SEM CALÇAR
MUDAR DE MÚSICA
MUDAR DE COR E TOM
MUDAR MEU SOM
DE TEMPO
SEI LÁ

sábado, 26 de julho de 2014

QUALQUER LUGAR

NÃO PRECISA MAIS FAZER SENTIDO
NÓS DOIS JÁ NOS CONHECEMOS DEMAIS
E PRECISAMOS AGORA DE PAZ
QUALQUER LUGAR TANTO FAZ
EU OU VOCÊ NÃO NOS PERDOAMOS MAIS
E MESMO QUE SUA BOCA FALE
EU NÃO TE AMO MAIS
SABIA QUE ERA MENTIRA
SABIA QUE ERA VORAZ
EU SÓ POSSO DIZER QUE
AGORA TANTO FAZ

MESMO QUE MEU CORPO PEÇA
MESMO QUE NÃO FAÇA MAIS SOL
VOU REPETIR PRO MEU MUNDO
QUE AGORA TANTO FAZ

NOS DOIS SABEMOS
QUE OS MUNDOS SE CHOCAM DEMAIS
NOS DOIS QUEREMOS MILAGRES
ACASOS BANAIS
COMO TE FALAR
QUE EU ME PERDI EM VOCÊ
QUE CADA GOTA DO MEU SANGUE
SABE O CAMINHO EM TI PERCORRER
ENTRE MEDOS QUE EU QUIS CORRER
ÉS DESUMANO ESSE JEITO EM TE QUERER

ESQUECER-TE
NOS DOIS SABEMOS QUE O CÉU MUDOU DE COR
PRA CADA VEZ QUE OLHAMOS DISTANTES DESSE CALOR
MAS AGORA VÁ
JÁ NOS OUVIMOS DESIGUAIS
EU SÓ POSSO DIZER
QUE TANTO FAZ



SEU MUNDO MEU

EU QUE VI VOCÊ FALAR
NÃO VOU FICAR
QUE ME PERDI NO MOMENTO           
EM QUE VI VOCÊ DEIXAR
SUA ROUPA
SEU CHEIRO
SEUS MEDOS E NÃO VOLTAR
MEU TEMPO
MEUS DEDOS
QUE EU USEI PRA TE ESQUENTAR
EU QUE FALEI DO QUE SE FOI
ERA MEU SEU VÍCIO
DE FALAR MANSINHO
E NO QUARTO ESCURO
ACENDIA MEU MUNDO
E NO CANTO DO SOFÁ
EU DEIXAVA OS RUMOS
E SEGUIA SÓ
DEIXA QUE EU ARRUME
E VOCÊ SE FOI
AO ME OLHAR BEM FUNDO
MINHAS MÃOS SOADAS
ESCORREGOU SEU MUNDO
TEU MEDO ERA MEU
DE PRESENTE E TUDO
SEM QUERER ME OLHAR
NO ESPELHO SUJO
ME PERDENDO EM TOM
SEM PORTO
SEGURA MINHA MÃO
QUE EU TE DOU ABRIGO PURO
AMOR JÁ É

SÓ ME DEIXAR CLAREAR SEU MUNDO